Morre Emanoel Araújo, artista plástico e fundador do Museu Afro Brasil

Gilberto Gil e Caetano Veloso prestam homenagem ao artista, que morreu em casa, aos 81 anos; governo de São Paulo decreta luto oficial de três dias

Letícia Brito, da CNN, São Paulo
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Morreu nesta quarta-feira (7), aos 81 anos, o artista plástico, escultor, fundador e atual curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo. O artista foi encontrado morto por um funcionário do museu em sua casa, na região da Bela Vista, em São Paulo.

Em nota, a assessoria do Museu Afro Brasil se solidarizou com a família e amigos do artista e afirmou que “Emanoel Araújo sempre foi um patriota que elevou e divulgou o Brasil e a cultura do nosso país.”

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O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, decretou luto oficial de três dias. Em uma publicação em uma mídia social, o governador declarou que o artista plástico fundou o Museu Afro Brasil e trabalhou durante toda sua vida pela valorização da história da arte afrodescendente brasileira e da arte africana. São Paulo seguirá com seus ensinamentos.”

O velório será aberto ao público. De acordo com informações do Museu Afro Brasil, a cerimônia será realizada na quinta (8), a partir das 9 horas, na sede do museu, com entrada no portão 3 do Parque do Ibirapuera. O sepultamento ocorrerá às 16 horas, Cemitério da Consolação.

 

Biografia

Emanoel Araújo nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 15 de novembro de 1940. Aos 19 anos realizou sua primeira exposição. Depois, mudou-se para Salvador, onde estudou na Escola de Belas Artes da Bahia (UFBA).

Premiado por suas obras a nível nacional e internacional, Araújo foi diretor do Museu de Arte da Bahia, lecionou na Arts College, na The City University of New York, foi diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e, em 2004, fundou o Museu Afro Brasil, equipamento cultural ícone do resgate da cultura negra no Brasil.

O artista plástico, ao longo de sua carreira, apresentou cerca de 50 exposições individuais e mais de 150 exposições coletivas.

Legado

“Emanoel Araújo, e um grupo de artistas plásticos, negros e brancos, achava que o Brasil merecia um museu do tamanho que é o Museu Afro”, diz Maurício Pestana, especialista CNN, CEO da Revista Raça e que trabalhou com o artista plástico na Pinacoteca de São Paulo e no Museu Afro Brasil.

Emanoel Araújo vai deixar uma grande lacuna na cultura, na arte, no modo de pensar e olhar para a cultura negra, mas também para a humanidade. Araújo era um homem que não se dizia apenas preto, mas um homem do universo. Vai deixar saudades. Vá em paz, meu amigo.
Maurício Pestana, CEO da Revista Raça e Especialista CNN

José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, definiu o artista plástico como "um negro simbólico, porque pela poucas vezes o negro chegava tão longe na cena política da nossa cidade. E chegando, abriu a porta para tantos outros que vieram depois".

E a história de Emanoel Araújo, segundo José Vicente, também se representa no legado do Museu Afro Brasil, “um equipamento público que congrega, valoriza e reconhece o valor da trajetória e da obra do negro brasileiro. E isso só foi possível porque Emanoel Araújo empenhou todas as suas energias, empenhou o seu prestígio e, pessoalmente, brigou quando foi preciso para transformar o Museu Afro Brasil no primeiro museu afro-brasileiro”.

Emanoel Araújo foi um personagem além do seu tempo, que teve dedicação e um trabalho formidável para construir uma carreira fora do lugar do negro na sociedade brasileira. Ele sempre teve o interesse, o compromisso e a disposição de trabalhar para fortalecer o seu pertencimento, a sua história.
José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares

Pelo Twitter, a conta oficial do cantor Gilberto Gil homenageou o artista. "É com muito pesar que Gil recebeu a notícia do falecimento do artista visual Emanoel Araújo. Nascido no Recôncavo Baiano, a sua arte e o seu talento alcançaram projeção nacional e internacional. Desejamos paz e conforto para familiares e amigos."

 

O músico Caetano Veloso, também pela mídia social, publicou imagens dois encontros com Araújo e disse que "morreu um amigo e xará".

 

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